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Roteiro sugerido para evangelização

Por Sergio Aparecido Alfonso


Uma das atividades mais nobres da igreja, e ao mesmo tempo mais negligenciada, é a evangelização. Muitas vezes sobra boa vontade, mas falta preparo, outras vezes ocorre o contrário. Evangelizar, segundo STILES (2016), é expor o evangelho de forma persuasiva. Ou seja, evangelização é a pregação do evangelho de modo a convencer o ouvinte, levando-o a tomar uma decisão diante de Cristo, para o sim ou para o não. Mas o cristão somente conseguirá atingir o intento de persuadir alguém por meio da pregação do evangelho se estiver impregnado da Palavra, de modo que pregue com convicção, enfim, demonstrando que realmente acredita na Palavra de Deus.

O pastor e professor John MacArthur (2017), trata a evangelização como um estilo de vida. No entendimento dele, o cristão vive a atividade de evangelismo como algo que faz parte de seus hábitos e costumes, faz parte de sua vida é algo como que paradoxalmente natural - já que é uma atividade para ser desenvolvida por quem experimentou o nascimento espiritual. Nesse diapasão vem Spurgeon (2015), com o pensamento de que o “cristão ou é um missionário ou é um impostor”. Nessa concepção, evangelização não é só uma cultura ou estilo de vida, mas uma incumbência inata, quer dizer, nasceu com aquela nova criatura surgida da conversão (2Co 5.17).

A questão é que se o cristão trata como cultura, estilo de vida ou incumbência, pouco importa, pois, em ambos os casos ele está certo, em que pese, com o pensamento incompleto se ele isola essas condições em três situações separáveis. Em todo o livro de Atos dos Apóstolos vemos os cristãos primitivos fazendo o trabalho de evangelização incorporando as três opções: cultura, estilo de vida e incumbência, essa última, pelo mandado de Jesus em Mateus 28.18-20. Tendo em vista isso, cumpre-nos tornar a tarefa o mais vivencial possível. E pensando nas questões como negligência, cultura, estilo de vida e incumbência, foi elaborado o roteiro de evangelismo abaixo, contendo versículos bíblicos chaves, sugeridos, no caso, sendo usada a versão bíblica Almeida Revista e Atualizada (ARA2008).

De início, é importante o evangelista, ou missionário, ser muito sincero com o ouvinte. Para tanto, é de bom juízo que a pessoa abordada seja informada da condição em que todo ser humano se encontra quando não tem Jesus como seu Senhor e Salvador (Romanos 3.23 “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”). Na explicação do texto, o evangelista deve falar sobre a queda do homem, contar sobre Adão e Eva (Gênesis 3) que com sua desobediência trouxeram como consequência sobre nós uma sina de pecado. Deve ser dito que a morte corporal não foi imediata, mas a espiritual sim. Por isso eles se esconderam de Deus (Gênesis 3.10). Enfim, o capítulo todo pode ser explorado, para mostrar a queda e morte do ser humano, que precisa, a partir disso, resurgir, ressucitar espiritualmente. 

Em seguida, deve-se frisar a questão da invasão do pecado no coração humano por causa de Adão e Eva (Romanos 5.12). Nessa linha, o risco da morte eterna deve ser informado ao ouvinte, expondo para ele o texto de Romanos 6.23, a qual vem como salário do pecado. Aqui o evangelista expõe ao abordado que o pecado é como um emprego contra Deus, e o pagamento recebido é a morte. Por outro lado, a vida eterna é um dom gratuito de Deus para quem estiver ao seu lado. ou seja, a vida é uma dádiva gratuita. Depois dessas considerações já é hora de falar sobre a boa notícia, a vida eterna e como se adquire. O texto mais claro a respeito dessa herança é João 3.16. Leia o texto e ajude o ouvinte a entender a suas implicações de não responder com fé a Jesus Cristo. Sim, uma resposta de fé deve ser dada diante do conhecimento do amor e do resgate preparados por Deus. A fé é a condicional, sua ausência não produz salvação. Por que sem fé, é impossível agradar a Deus (Hb. 11.6), e a fé, é, por fim, uma necessidada para quem deseja a salvação

Depois diga à pessoa do abordado que Deus deseja que todos sejamos seus filhos, e que essa filiação ocorre por meio do recebimento de Cristo Jesus (João 1.12). É importante deixar claro que todos somos criaturas de Deus, mas nem todos são seus filhos. Não se pode deixar uma pessoa confortavelmente desconhecedora disso, é uma informação crucial para o futuro perpétuo de todos nós. Também é interessante que se diga da responsabilidade daqueles que são lideranças em suas casas em relação à salvação de toda família (Atos 16.31 e Deuteronômio 30.19). Em ambos os textos, da decisão dos chefes de família pode depender a decisão dos demais. Cada um tem a sua responsabilidade, pois, a consequência é de colheita pessoal, é verdade (Ezequiel 18.4). Mas nunca deve ser esquecido que o exemplo é necessário.

Depois de contar sobre a queda do homem, o pecado e suas consequências mortais, você falou da boa nova, a boa notícia. Chegou-se ao conhecimento da solução para o que era a perdição certa. Agora está na hora de falar sobre os versículos que ensinam os passos a serem tomados para alcançar a salvação. A sugestão para iniciar a orientação sobre uma decisão fica por conta de Romanos 10.9,10. É necessário confessar que Jesus é o Senhor, e acreditar que Deus o ressuscitou dos mortos, e isso deve ser feito com a boca. Deve ser verbal, para um membro de igreja com a função missional, ou não, mas que seja uma testemunha idônia diante de Deus. Isso é uma sugestão para que se faça confissão diante dos homens (Lucas 12.8) para que nos céus haja reconhecimento da conversão.

Também é preciso que a pessoa deixe a fé entrar em seu coração para então acreditar que recebeu a salvação (Ef. 2.8-10). Neste trecho contém a informação valiosa de como se alcança a salvação, que é por meio da graça, e não por obras, mas exercitando a fé. E a salvação é necessária para que andemos nas boas obras que Deus preparou com antecedência para que as praticássemos. Obras espirituais, que só podem ser praticadas por quem nasceu espiritualmente, da água e do Espírito (João 3.4,5) sem cujo nascimento não se pode entrar no reino de Deus. Terminada essa exposição, caso julgue necessário, leia mais alguns versículos com a pessoa, se não, ore com ela e, depois a oriente sobre os próximos passos, quais sejam, ler a Bíblia, orar e procurar uma igreja para viver em comunhão e crescer como cristão e ser edificado em espírito. Que Deus te abençoe!



Bibliografia

ALMEIDA, João Ferreira de. Tradução da Bíblia, versão revista e atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil. 2008.

MACARTHUR, John F.; EVANGELISMO: Como compartilhar o Evangelho de modo eficaz e fiel. Rio de Janeiro: Thomas Nelson. 2017.

SPURGEON, Charles Handon; Conselhos para obreiros. São Paulo: Vida nova. 2015

STILES, J. Mack; Evangelização: Como criar uma cultura de evangelização na igreja local. São Paulo: Vida Nova. 2015.

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